Sistema de Gestão da Água da Edificação

As ações que objetivam a conservação de água abrangem duas áreas distintas: a técnica e a humana. Na área técnica estão inseridas as ações de avaliação, medições, aplicações de tecnologias e procedimentos para enquadramento do uso. Já na área humana se inserem o comportamento e expectativas sobre o uso da água e os procedimentos para realização de atividades consumidoras. Para um PCA ser bem sucedido na sua execução é preciso que haja uma política de gestão da água que tenha como premissas básicas:

  • › Estabelecimento da política de conservação de água pela direção ou por parte dos responsáveis pela edificação
  • › Integração do plano de gestão da água com os demais insumos, de forma que seja possível avaliar os impactos gerados do PCA aos demais insumos, inclusive após a aplicação do programa
  • › Sinergismo e alinhamento das áreas humanas e técnicas
  • › Atualização constante dos dados. É essencial a obtenção de dados da condição anterior à implantação do programa para que seja possível mensurar os progressos obtidos e o cumprimento de metas, bem como o planejamento das ações futuras dentro de um plano de melhoria contínua. No caso de novas edificações, devem ser utilizados indicadores de consumo de água por tipologia ou atividade específica
  • › Avaliação contínua não só da quantidade de água envolvida nas atividades, mas, também, da forma como a mesma é utilizada e com que qualidade
  • › Divulgação das diretrizes básicas, metas e economias geradas aos usuários internos e externos à entidade etc. Para a manutenção dos índices de economia obtidos é necessário que o plano de gestão compreenda ações de base operacional, institucional e educacional

Abaixo uma visão macro do PCA (PROGRAMA DE CONSERVAÇÃO DA AGUA):

Fluxograma gestao de água

Abaixo o fluxograma do programa de desenvolvimento dos trabalhos seguindo metodologia P.D.C.A de melhoria contínua:

Fluxograma conservação de água

Ações de Base Operacional

As ações de base operacional permitem manter sob controle os indicadores obtidos, assim como atualizada a avaliação da edificação quanto ao uso da água. Fazem parte dessas ações:

  • › Criação de política permanente de manutenção preventiva e corretiva
  • › Geração de procedimentos específicos de uso da água nos processos prediais e industriais constantemente atualizados
  • › Acompanhamento do monitoramento contínuo do consumo por meio de planilhas eletrônicas e gráficas
  • › Realização de vistorias aleatórias nos setores de maior consumo para avaliação do uso da água
  • › Constante divulgação das novas metas e resultados obtidos para todos os usuários da edificação em estudo
  • › Atualização constante dos dados
  • › Plano de melhoria contínua

No caso do monitoramento do consumo, definidas as ligações de água, deve-se proceder à coleta de dados de consumo por meio de instrumentos simples, como as contas de água e as leituras in loco, ou pela medição setorizada e telemedição.

No caso das contas de água emitidas pela concessionária, é possível obter o consumo do mês (assim como as duas leituras que permitiram calcular este consumo), o consumo dos últimos seis meses e o consumo médio relativo a esse período. Para a tarifação por parte das concessionárias, a leitura ocorre mensalmente (em alguns casos, duas vezes - a segunda para conferência) e há defasagem entre a leitura e a conta. Porém, um menor intervalo de tempo no controle do consumo diário proporciona maior capacidade de rastreamento, no caso de possíveis variações, e agilidade na intervenção. No caso de medição setorizada, há maior número de pontos de consumo monitorados e assim se tem um melhor acompanhamento do consumo, por exemplo, através da determinação com maior precisão da localização de um vazamento (ou outra anomalia do consumo) ou da realização da cobrança da água consumida por uma lanchonete ou terceiros que estejam instalados internamente às dependências da edificação, por exemplo, em um aeroporto. 9.SILVA, 2004 81 81

Ações de Base Educacional

As ações de base educacional garantem o acompanhamento e a mudança comportamental dos usuários. Essas atividades estão divididas entre dois diferentes públicos, o primeiro deles o gestor da água, e o segundo os demais usuários. O gestor (ou a equipe de gestão) da água é o responsável por transformar o comprometimento assumido em conservar a água em um plano de trabalho exeqüível, com o objetivo de alcançar as metas preestabelecidas pela organização. O gestor da água deve ser responsável por:

  • › Avaliar as ações de conservação já realizadas com análise dos impactos positivos e negativos
  • › Buscar subsídios que justifiquem o benefício do PCA numa edificação para motivar os demais usuários
  • › Estabelecer as verbas necessárias e, se possível, dependendo da tipologia, garanti-las junto da alta gerência ou dos responsáveis
  • › Estabelecer critérios de documentação e avaliação das ações a serem realizadas
  • › Estabelecer as ações de base educacional a serem desenvolvidas junto dos demais usuários
  • › Traçar diretrizes para as ações de base institucional de maneira que fortaleça a divulgação do PCA
  • › Estabelecer ações de base operacional, desenvolvendo critérios de medição como forma de subsídio constante para que haja uma melhoria contínua dos resultados obtidos
  • › Reportar constantemente o andamento e os resultados obtidos aos responsáveis
  • › Promover abertura e divulgação na mídia
  • › Manter transparência de ações e resultados. Para os demais usuários da edificação, devem ser multiplicadas as diretrizes e ações do PCA por meio do estabelecimento de um programa educacional que deverá informar, por exemplo:
    1. A importância e necessidade do PCA adotado para a edificação
    2. As metas a serem alcançadas
    3. A importância da contribuição de cada usuário no cumprimento das metas da entidade
    4. O estabelecimento de metas de economia por usuário e por equipes para incentivo ainda maior da obtenção das metas
    5. Novos procedimentos e equipamentos
    6. Divulgação constante dos resultados obtidos para avaliação crítica da atuação de cada um dentro da edificação. Sugere-se ainda que cada usuário da edificação receba uma carta da direção ou dos principais responsáveis pelo PCA implantado, comunicando os detalhes e metas do programa, solicitando o apoio dos mesmos e convidando-os a participar e colaborar com informações.
    7. Para a multiplicação das informações necessárias e engajamento de todos os usuários, o gestor da água deve ainda divulgá-las através de cartas, e-mails, relatórios, manuais, pôsteres, etc. Outras medidas que auxiliam em um maior envolvimento dos usuários com a conservação de água são, por exemplo:
      1. Estabelecimento de um programa de incentivos (participação dos usuários nas economias obtidas; bônus para usuários que detectarem perdas físicas ou desperdícios dentro da edificação)
      2. Criação de um “canal” aberto de comunicação onde cada usuário possa contribuir com o PCA implantado
      3. Criação de um “slogan” para que a conservação de água se torne uma grande meta dentro da organização

Ações de Base Institucional

Estas ações visam o usuário interno e externo à edificação, com foco principal na responsabilidade social e benefício a ser gerado para o meio ambiente externo. Constitui uma das atividades a multiplicação do PCA implantado para a comunidade externa, como fator positivo quanto à integração edificação-meio ambiente, através de relatórios publicados, seminários, revistas, jornais, entre outros. É importante que a edificação seja visitada por pessoas do ambiente externo para que os resultados dos trabalhos possam ser apresentados e divulgados, tornando-se referência para as demais.

Fluxograma economia de água